Machismo: uma reflexão psicana-crítica
- Gabriel Diego Medeiros

- 23 de mai. de 2025
- 2 min de leitura
Dia 8 de março, data não comercial, mas de raízes históricas, profundas e sérias, faço o convite a uma reflexão crítica sobre o machismo. Vamos?
Talvez tu estejas pensando: "Mas não sou machista. Jamais!" Será? Numa sociedade que por anos pregou e ainda prega que o homem tem uma postura vital na organização da sociedade enquanto a mulher deve obedecê-lo, será que não precisamos elaborar e assumir nossos machismos para que possamos lidar com isso? Fingir que não existe ou descartar está claramente no campo do impossível ao humano, à medida que sabemos que aquilo que guardamos e não nos implicamos, reverbera em nós e eventualmente retorna.
É pouco conhecido que Freud foi um introdutor de ideias feministas na sua época (séc. XIX - XX), recomendando leituras emancipadoras e de luta das mulheres como um projeto de construção da liberdade em seu sentido mais amplo. Já em meados do século XX, movimentos feministas frequentaram seminários de Lacan para embasar suas críticas à psicanálise clássica como dispositivo antrocêntrico e de subalternação da mulher. Isso fez com que a teoria psicanalítica avançasse, destacando também vários nomes importantes de autoras como Anna Freud, Virgínia Bicudo, Klein e tantas outras.
Mas nem tudo são flores! Acolhendo críticas postuladas por mulheres porretas como Judith Butler, atenta à seu tempo, a psicanálise vem avançando em estudos de gênero que partem dessas críticas muito importantes, por exemplo para (re)pensarmos a questão do binarismo homem-mulher, do falocentrismo, e o quanto estas precisam passar por um processo de reinvenção. Há muito a ser feito.
Reinventar-se, um novo modo de ser. O machismo enquanto algo aprendido e construído, ainda que muito impregnado, é sim passível de desconstrução. Por muitos séculos falamos e falamos, e falo daqui, falo de lá... Logo, o convite agora é que nós homens possamos escutar mais do que falar. Ao lado daquelxs que amas, ao invés buquês e chocolates, ou para além desses, lembrar que esse é um dia de luta e que o contrário do machismo não é o feminismo, mas a inteligência. Como diria Chimamanda: sejamos todos feministas!
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