Ciúmes: tá tudo bem?
- Gabriel Diego Medeiros

- 23 de mai. de 2025
- 2 min de leitura
Um afeto comum a todo ser humano, que quando ultrapassa um certo limite do aceitável, difícil de controlar, se torna um problema e sua causa deve ser investigada. Lidamos mal com o ciúme pois toca em modos de ser que repudiamos. Freud fala em três tipos de ciúmes: ciúme esperado, ciúme projetado e ciúme delirante.
No ciúme esperado há a suspeita de uma abertura para um terceiro o qual se suspeita que o companheiro ou companheira deseje. No ciúme projetado, a pessoa não consegue se conter seja em seus atos e começa achar que a companheira o trai, projetando nela o que deseja. Desconfia-se que o outro está me traindo, ainda que não tenha passado ao ato, num estado que denuncia sua insegurança constante e o esconderijo das próprias fantasias. O ciúme delirante diz de uma certeza que o outro o trai, e não há provas que me façam sair desse delírio. Na raiz, argumenta Freud, estaria o desejo por aquele com quem se suspeita a traição, neutralizando isso na acusação de que é minha companheira e não eu que deseja esse terceiro. Neste ponto, nada mais importa que não esse ciúme e se deixa (literalmente) de viver por ele em muitos casos.
Se não é o caso dos famosos boys/girls lixo, então o ciúme pode estar em você, seja por baixa autoestima, medo, culpa ou uma infinidade de razões, que na verdade são sintomas. Sintomas de algo que os desencadeou, paradoxalmente, nos encadeando. Nesse sentido, o Eu cria mecanismos de defesa para nos proteger da dor que ali gerada. Esses conteúdos são excluídos da consciência, colocados para "debaixo do tapete", e assim perdem, momentaneamente, sua energia. Em outras palavras, tratamos de “esquecer” aquilo que foi presenciado. "Tá tudo bem agora". Será?
O problema desse “esquecimento” é que ele só foi ser apenas jogado de lado é que ele ainda está lá, e, por vezes retorna como um sintoma, uma doença. É pura energia a ser canalizada. E quantas formas violentas de canalizar temos visto! As mortes que começaram por ciúmes estão aí.
E é aí que a psicanálise é muito importante enquanto cura pela palavra. Antes de cair preso em si próprio ou mesmo num cárcere superlotado... desprenda-se num divã.
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